O silêncio que adoece

Por: Socorro Formiga (Psicóloga)

Muitas vezes nós guardamos nossas dores, mas elas vão se manifestando de forma silenciosa, através de uma dor que se torna crônica, de noite mal dormida, de um vazio existencial, de um cansaço físico e mental.

Esse silêncio, quando se prolonga e não é considerado, gera o adoecimento, do corpo e da alma.

Nesse contexto destacamos a importância da fala. A psicologia envolve esse gesto simples, mas revolucionário: falar e ser escutado.

A fala é algo libertador. É importante abrir espaço em que a dor possa ser reconhecida, nomeada e resignificada. Não se trata de suprimir a dor, mas sim “tocá-la”, não só no corpo, mas também no seu mundo interno, desde que no limite do suportável pelo sujeito.

O espaço terapêutico é uma via de acesso, sendo, de fato, uma alternativa positiva ao alcance de todos que nela buscam alívio. O psicólogo auxilia o paciente a enfrentar suas dores por meio da expressão das emoções e dos sentimentos, legitimando seu sofrimento, mas também ajudando-o a se reconhecer e agir como sujeito de sua própria história, reescrevendo-a, ao considerar-se capaz de identificar as fontes de sua dor e do seu prazer.

Nesse mês estamos celebrando a Campanha Setembro Amarelo, que nos convida a falar e refletir sobre saúde mental. Pedir ajuda é sinal de coragem, não de fraqueza. A terapia nos fortalece, principalmente porque nos proporciona meios de conviver com a dor sem ser esmagado por ela.

Então, fica a reflexão: quais as dores que estamos silenciando e como podemos transformá-las através da fala e da escuta?

Socorro Formiga
Psicóloga clínica, terapeuta de casais e famílias, mestre em psicologia clínica, pesquisadora dos aspectos das dores crônicas e depressão, trabalha com saúde emocional e mudança comportamental.
E-mail: mdsformiga@gmail.com – (83) 99302 4081 | @socorroformiga